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A Beleza do Studio Ghibli

A Beleza do Studio Ghibli
Imagem gerada por IA
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Atenção: este texto contém spoilers

Contemplação à vida

Uma das características mais marcantes dos filmes do Studio Ghibli é a suavidade que eles trazem em cada cena. Desde apreciar o mar ao cortar de um pão, os filmes nos mostram como a vida deve ser vivida com leveza e simplicidade.

Quando a chuva começa a cair gradualmente e o vento a balançar as árvores e roupas, nós vamos, junto dos personagens, viver aquele momento de calmaria. É como se os filmes fossem construídos para sentirmos exatamente as sensações que os personagens tem em suas vidas.

Isso me traz uma sesação de conforto e paz e me leva a refletir como muitas vezes estamos imersos em uma rotina corrida e cheia, voltada à resolução de problemas e produtividade excessiva. Esquecemos do quão importante e saudável é parar e descansar. Levar a vida com o ritmo certo, sem peso, deveria ser o nosso comum.

Imaginação sem limites

Os filmes trazem traços bem característicos desse estúdio, como os personagens mais idosos, que possuem os olhos grandes e a pele bem marcada, indicando a velhice, além das criaturas animadas com olhos observadores, que analisam ambientes antes de realizar alguma ação.

Em um primeiro momento, algumas dessas criaturas podem causar estranheza justamente por serem tão diferentes e até bizarras. Todavia, esse é um forte indicativo de como o Studio Ghibli não limita sua imaginação em seus filmes. Desde "poeiras" (Susuwatari) animadas à um fantasma com boca grande, como vemos em "A Viagem de Chihiro", tudo pode ser animado. Mesmo sendo esses baseados no folclore japonês, o que fica claro é que a criatividade é livre em suas histórias.

Finais reais: nem perfeitos, nem clichês

Diferente de muitos filmes, o Studio Ghibli não parece se importar muito em ter o final de "felizes para sempre". Todos os finais são relacionados ao que mais faz sentido à história, o que traz autenticidade e não o clichê de sempre.

Analisando "O Mundo Dos Pequeninos", vemos o desenvolver de uma grande amizade entre a pequena Arrietty e o humano Shō. Todavia, em um mundo onde os pequeninos não conseguem conviver com os humanos grandes, essa amizade já se torna algo improvável de permanecer. Então, ao invés de forçar um final feliz onde todos convivem bem, cada um segue seu rumo, onde, muito provavelmente, eles nunca mais se encontrem, dado que Arrietty e sua família se mudam, e Shō tem o risco de morrer durante sua cirurgia do coração.

O mesmo pode ser concluído com o "Túmulo dos Vagalumes", onde torcemos para que dê tudo certo com os irmãos orfãos, mas em um cenário precário de pós-guerra no Japão, não tem como tudo ocorrer bem com duas crianças sozinhas pelo mundo, então a irmã mais nova morre no final.

A lista se segue com "O Menino e a Garça", onde o mundo descoberto é destruído. Em "Vidas ao Vento", apesar de na história real Jiro Horikoshi não ter uma esposa com tuberculose, o filme retrata um final diferente e muito lindo do tempo que eles ficaram juntos até ela morrer. "O Castelo no Céu" termina com um final melhor para a história dos dois amigos Pazu e Sheeta, mas Laputa, que tanto procuravam, foi quase toda destruída, para evitar que sua poderosa base tecnológica e militar causasse danos ao mundo.

Com todos esses exemplos, fica claro que o que importa não é um "felizes para sempre" perfeito, mas algo memorável que se encaixe melhor à história construída, o que, em minha opinião, deixam os filmes ainda mais brilhantes.

Comentário bíblico

Apesar dos filmes do Studio Ghibli não serem cristãos e até terem muitas coisas que não cremos no cristianismo, como os espíritos da natureza mostrados em "Meu Amigo Totoro", eles me lembram muito de alguns versículos bíblicos.

Em Mateus 6:34, versão NAA, temos o seguinte:

Portanto, não se preocupem com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.

No Sermão do Monte Jesus aborda sobre não ficarmos preocupados com o amanhã, ansiosos com o futuro, pois ao buscar o Reino de Deus em primeiro, todo o resto será provido para nós (Mateus 6: 25-34).

Os filmes trazem justamente essa perspectiva de viver um momento de cada vez, cada dia com calma e paciência. Isso me traz à memória de que essa é a vida que o Senhor deseja para nós, com confiança Nele, sem as ansiedades que o mundo deposita em nosso coração.

Conclusão

Cada um tem suas próprias opiniões ao assistir às produções do Studio Ghibli. Alguns, como eu, sentem fascínio por cada detalhe; outros, talvez, um pouco de tédio diante da lentidão das cenas. Entretanto, apesar das diferentes perspectivas, considero que vale a pena, ao menos uma vez na vida, assistir a um (ou vários, se possível) filme e ter sua própria experiência com essas tão aclamadas produções.

Imagem: Studio Ghibli